Pesquisa revela a importância do reparador independente na compra do veículo

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Mais de 80% dos proprietários de carros no Brasil preferem os serviços das “oficinas independentes” em detrimento das concessionárias oficiais das montadoras. Considerando a tecnologia embarcada nos veículos atuais e o desafio da formação da mão de obra no Brasil, esse é um dado impressionante. E fica ainda mais contundente quando se detalha o motivo para “fugir da concessionária”.

Em 57% dos casos, os donos dos carros preferem os serviços dos independentes por motivos relacionados à confiança, transparência, facilidade etc.; em 43%, abandonam os serviços oferecidos pelas montadoras por conta do preço. Os dados, divulgados pela consultoria Roland Berger, colocam o mecânico, que hoje prefere ser chamado de “reparador”, no centro de uma indústria milionária e de alta visibilidade: a automotiva. Porém, a figura do mecânico/reparador praticamente não consta nas análises oficiais do desempenho do setor.

De acordo com as estimativas das entidades que representam o setor, a frota circulante de automóveis e comerciais leves está entre 32,8 milhões e 43,2 milhões, dependendo da fonte consultada. Esses valores díspares se explicam pela forma como os dados são compilados, quer seja pela Anfavea, Sindipeças ou Fenabrave.

Pesquisa Imagem das Montadores

Desde 2009, a CINAU (Central da Inteligência Automotiva), unidade de pesquisa e inteligência de mercado do Grupo Oficina Brasil, coleta regular e sistematicamente os valores do tíquete nas oficinas. A série histórica acumulada revela que o valor médio do tíquete de peças é de R$ 470. Se cada carro passa 2,2 vezes por ano nas oficinas, o valor anual gasto em peças por veículo é R$ 1.034 e com um estoque reparável de veículos de 30,6 milhões temos um mercado que consome R$ 31,7 bilhões em peças.

Além de grande comprador de peças, o reparador independente desempenha um segundo papel também muito relevante. Ele é um dos influenciadores do consumidor no processo decisório de compra do veículo, seja novo ou usado. E os critérios que o reparador utiliza para amar ou odiar uma marca e um modelo variam do extremamente passional, quando ama, ao totalmente técnico, quando odeia.

Segundo Pesquisa Imagem das Montadoras, realizada pela Cinau, a opinião dos reparadores independentes deve ser considerada pelo mercado. Em sua 15ª edição, a análise contou com a participação de mais de 1.800 reparadores independentes de todo o País que, sem nenhum estímulo ou premiação, responderam ao questionário.

Foram avaliadas 34 marcas de automóveis e comerciais leves, divididas em três categorias, em função da participação de mercado de cada grupo. O primeiro grupo é formado pelas montadoras que detém 70% de participação na frota circulante de veículos. Já o segundo é composto pelas montadoras que possuem 25% e, o terceiro, as que detém apenas 5%.

Relativamente às montadoras, as melhores se revezam conforme o quesito avaliado. Com relação à disponibilidade de peças, a General Motors é a preferida dos reparadores independentes, seguida da Volkswagen. Quanto ao acesso a informações técnicas, Fiat e General Motors ocupam o primeiro e segundo lugar, respectivamente.

No topo do ranking reparabilidade está a General Motors, com a Fiat na sequência. Sobre o atendimento na rede de concessionárias, os reparadores preferem o desempenho da General Motors e, na sequência, a Fiat. Quanto ao item preço de peças, mais uma vez a General Motors lidera, seguida da Volkswagen. No quesito treinamentos, a Volkswagen vence, seguida da Fiat.

“Algumas montadoras, cientes desta realidade de mercado e resultados da pesquisa, já organizaram plataformas de relacionamento com o reparador independente. Essa aproximação visa ganhar recomendação para seus produtos, por meio da difusão de informações técnicas, treinamentos e melhor acesso a peças de reposição”, ressalta Marcelo Gabriel, diretor de Pesquisas da Cinau.

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